A grande mídia tradicional tocantinense tem se tornado um folhetim da senadora Dorinha, forçando uma candidatura que, para os bons observadores da política tocantinense, está fadada ao fracasso. A cada pesquisa — duvidosa, diga-se de passagem — é um orgasmo múltiplo dessa mídia tradicional que faz mais o papel de um torcedor em um estádio lotado vibrando por seu time do que jornalismo de verdade. Recente pesquisa mostrou mais uma vez a imparcialidade desses veículos de comunicação — vulgo assessoria de imprensa da senadora. A pesquisa totalmente enviesada com nomes que nunca falaram que seriam candidatos ao governo, outros que já desistiram da empreitada e nomes que são declaradamente pré-candidatos e não aparece seu nome. Mas há um método por trás dessas pesquisas de intenção de voto. Uma coisa interessante que notei em todas elas é a ausência da rejeição dos pretensos candidatos. Nessa última foi do mesmo modo.
Mas por que nessas últimas pesquisas não apareceu nelas o nível de rejeição? E nessa última, em especial, aparecem nomes aleatórios? Tenho uma tese sobre isso. Em todas elas, a senadora Dorinha lidera, mas por falta dos índices de rejeição, não conseguimos medir o teto de crescimento da senadora. Então, seja por isso que a rejeição seja negligenciada, pois, apesar de estar liderando, sua rejeição está nas alturas e o teto para crescimento seja muito baixo e não querem expor tal fragilidade. Mostrar uma alta rejeição pode criar na mente do eleitor um sinal de fraqueza.
Mas já que não temos os dados de pesquisas sobre a rejeição dos postulantes ao cargo, vamos conjecturar. Hoje, Dorinha aparece na casa dos 30% e, vamos supor que a rejeição esteja dentro da casa dos 50%, então seu teto para crescimento é pequeno, quase nada em relação às pesquisas apresentadas, estagnando nos 30%, podendo chegar aos 35%. Com esse teto baixo, Dorinha seria candidata a terminar o primeiro turno em segundo lugar, a supor que os demais candidatos tenham uma rejeição menor que a dela, e, portanto, com um teto de crescimento maior. Também arrisca, com esse teto baixo, ficar fora do segundo turno. Expliquemos. Quando um candidato chegar ao teto máximo de intenção de votos, a tendência geralmente é cair, nesse caso, Dorinha poderia cair para a casa dos 20%.
Na pesquisa mais recente, foram colocados nomes como o do prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira, que nunca falou que poderia ser candidato ao governo do Tocantins, nunca se ventilou essa possibilidade. Outro nome que aparece é o do senador Eduardo Gomes, que já declarou que irá lutar pela reeleição e desistiu de candidatura ao governo. Esse método é, sem sombra de dúvidas, para pulverizar os índices de demais candidatos e assim reduzir a vantagem para Dorinha. Quanto mais nomes na pesquisa, mais se pulveriza, evitando aparecer a queda vertiginosa de Dorinha em relação aos seus principais concorrentes, que são Amélio Cayres, Laurez e Vicentinho Júnior.
Se minha tese estiver certa, e a rejeição da senadora estiver nas alturas e a vantagem dela reduziu em relação aos demais, então, as chances para ficar fora do segundo turno aumentam. Falando em Vicentinho Júnior, o nome do governadoriável não aparece nessa última pesquisa, causando ainda mais estranheza. Estaria Vicentinho ameaçando as chances de haver segundo turno e uma ameaça à eleição da senadora?.
Com todas essas coisas estranhas nas pesquisas de intenção de votos para o governo do Tocantins, gera-se uma suspeita e elas caem em descrédito. Poderíamos repetir as eleições de 2022, que colocavam no início Ronaldo Dimas com 24% e o atual governador Wanderlei Barbosa com 7% e, com o passar do tempo, Ronaldo Dimas foi caindo, seja pelo teto baixo de crescimento dele ou qualquer outro fator, o que podemos ver naquela eleição foi um massacre de Wanderlei sobre Dimas. Os números que colocam a senadora na liderança podem estar corretos, mas não trazer os dados da rejeição nos tira a possibilidade de analisarmos corretamente o cenário atual e futuro.