O crescimento da pré-campanha de Vicentinho Júnior apresenta muito mais que um fenômeno que acontece em raras eleições: um candidato oposicionista ganhar da máquina com um governador com boa aceitação. Esse crescimento também trará um ineditismo nas eleições estaduais: poderemos ter o primeiro vice-governador do Bico do Papagaio. Vicentinho Júnior e Amélio Cayres entraram na pré-campanha sob os olhares incrédulos dos líderes situacionistas e de alguns eleitores, que apostavam que a pré-candidatura da dupla não iria prosperar, que seria apenas uma chuva de verão que logo se vai, mas, para a surpresa de todos, viram um Vicentinho Júnior tomar terreno e, em quatro meses, colar em Dorinha, ficando apenas um ponto atrás da governista, o que acendeu alerta na pré-campanha do Palácio.
Pesquisas internas já mostram que Vicentinho Júnior já ultrapassou Dorinha em três pontos, o que aumentou a apreensão no Palácio Araguaia e fez surgir pressões dentro do grupo, com até ameaças de troca de nomes na majoritária. Esse fenômeno que se avizinha coloca o Bico do Papagaio no centro das atenções, com o presidente da ALETO — Assembleia Legislativa do Tocantins —, Amélio Cayres, como pré-candidato a vice. O Bico é um dos maiores colégios eleitorais do estado, concentrando quase 180 mil eleitores, o que fez avançar a pré-candidatura de Vicentinho.
Há muito tempo, o Bico do Papagaio vem tomando espaço na política estadual, e agora pode chegar ao seu ápice, elegendo um vice governador. Amélio, como já foi dito, deu musculatura ao Vicentinho Júnior, e o sentimento bairrista do biquense pode dar uma vitória sobre uma máquina que está cansada, certo, mas é a máquina e tem o poder dos contratos. Recentemente, Amélio conseguiu levar mais dois prefeitos do Bico para a pré-campanha de Vicentinho: o prefeito Mayck de Xambioá e o prefeito Alberto Moreira de São Miguel, e mais prefeitos estão no gatilho para declarar apoio.
Estamos prestes a ver um dos maiores movimentos políticos da história do Tocantins, rememorando a disputa entre Moisés Avelino — oposicionista — e Moisés Abrão — situacionista apoiado por Siqueira Campos —, em que o emedebedista Avelino levou a melhor, vencendo a máquina pública de Siqueira Campos, que estava em seu auge.