Quando a lógica entra em campo, brechas nas narrativas são abertas e surgem perguntas que permeiam a mente de todo ser pensante. Pensar é trabalhoso, por isso, a maioria aceita o que é dito sem questionar, apenas vai, sem olhar do lado fatores que contradizem o enunciado. Isso é recorrente na política. No Tocantins, durante essa disputa pré-eleitoral, a base governista fala em 120 prefeitos, mas há dois fenômenos que podem contradizer essa narrativa: o primeiro. Muitos prefeitos da base governista têm declarado apoio a Vicentinho Júnior, oposição ao governo. Segundo. Há uma gama de prefeitos — uns 40 prefeitos — que nunca declarou apoio a ninguém. Vamos nos ater a essas duas afirmações.
Por que prefeitos de partidos da base governista estão declarando apoio a Vicentinho?
Ao menos dois afirmaram que o apoio a Vicentinho Júnior se deve ao fato de não aceitarem pressão e, segundo suas palavras, perseguição do governo. São prefeitos do Republicanos, Progressistas e União Brasil, que já afirmaram estar na base oposicionista, mesmo seus partidos sendo da base governista. Mas essas adesões vão além da revolta com a suposta perseguição governista, têm um quê de rejeição contra a pré-candidata do governador, a senadora Dorinha, que também amarga uma rejeição popular, conforme o instituto Paraná Pesquisas. Com uma imagem de inacessível, a senadora Dorinha foi construindo esse muro entre ela e alguns prefeitos que, ao chegar a eleição, resolveram não segui-la.
40 prefeitos ainda estão calados
Esse ponto escancara com mais precisão o discurso governista da maioria das prefeituras. Até o momento, uns poucos declararam oficialmente apoio para Dorinha, colocando em xeque tal afirmação. A narrativa dos 120 prefeitos cai pelo silêncio da maioria absoluta. Vamos fazer um pequeno cálculo.
Dos prefeitos que estão com Vicentinho — Carrasco Bonito, Sampaio, Augustinópolis, Araguatins, São Miguel, Xambioá, Araguanã, Santa Maria, Santa Rosa, Alvorada, Buriti, Novo Acordo, Ponte Alta, Ipueiras, Pindorama, Muricilândia, Almas, Natividade, Aurora, Tupirama, Tabocão, Marianópolis e Lagoa do Tocantins — são 23 dos 139, sobram 116, menos os 40 que nunca se declararam, restam 76, quebra-se aí a argumentação dos 120 com Dorinha. Ah! Tem o prefeito de Duerê, o qual é com Laurez, então fica 75 para Dorinha. Desses 75, apenas uns 20 já declararam, então, restam 55 para oficializar. A pergunta que fica é: vão oficializar?
Durante o evento de lançamento de pré-candidatura de Dorinha em Araguaína, se apresentaram apenas 20, tornando a narrativa dos 120 ainda mais suspeita. Como alguém que diz ter 120 prefeitos, só 20 vão para o evento de lançamento de candidatura? É tempo de parar, analisar e ver que a narrativa não bate com a realidade.