Texto: André Luiz
A política tocantinense vive uma contradição estrutural que já não passa despercebida pela população: o discurso público fala em renovação, democracia e progresso, mas a prática revela um feudo moderno, dominado há décadas pelas mesmas famílias, sobrenomes e grupos de poder.
Trata-se de uma hipocrisia política institucionalizada.
Enquanto se vende a ideia de alternância e oxigenação, o que se observa é a reprodução hereditária do poder, onde cargos, mandatos, secretarias e influências circulam dentro de um círculo fechado. Muda-se o partido, troca-se o slogan, ajusta-se o marketing — mas os donos do poder continuam os mesmos.
Essa lógica feudal produz efeitos profundos e perversos:
• Bloqueia lideranças novas e legítimas, especialmente aquelas que surgem da base social, do trabalho comunitário e do mérito real.
• Transforma a política em herança, não em missão pública.
• Enfraquece a democracia, pois o eleitor passa a escolher entre “variações do mesmo projeto”, não entre ideias verdadeiramente distintas.
• Desestimula a participação popular, porque o jogo parece previamente decidido.
A chamada “oxigenação política” não se faz com rostos jovens a serviço de velhos projetos, nem com alianças artificiais para manter privilégios. Oxigenação real exige:
• Ruptura com o patrimonialismo;
• Compromisso com transparência e accountability;
• Valorização de lideranças que conhecem a realidade do povo, não apenas os corredores do poder;
• Coragem para enfrentar estruturas consolidadas que confundem o Estado com propriedade privada.
O Tocantins não é um feudo.
Não pertence a famílias, grupos ou clãs políticos.
Pertence ao seu povo.
E a verdadeira mudança só virá quando a política deixar de ser um instrumento de manutenção de poder e passar a ser, de fato, um serviço público, com renovação autêntica, pluralidade de ideias e compromisso real com o futuro do Estado.
Sem isso, qualquer discurso de renovação não passa de retórica vazia — elegante por fora, apodrecida por dentro.