“A política ama a traição, mas odeia o traidor” — Leonel Brizola.Dois projetos políticos que nasceram paralelamente um ao outro, mas que em um determinado ponto se encontraram e poderiam formar um grupo imbatível, com chances reais de vitória em primeiro turno. Digo que poderiam, se não fossem imposições arbitrárias e traições durante o curso de convergência. Desses empecilhos, houve um racha que nasceria na frente uma candidatura improvável, mas que se tornaria competitiva.
Lá pelo final de 2023, nascia a pré-candidatura da senadora Dorinha ao governo do Tocantins, que tinha no seu quadro o deputado federal Vicentinho Júnior como pré-candidato ao senado. Mas tudo mudou quando um áudio vazado nas redes sociais mostrava uma Dorinha que, de um certo modo, desdenhava da pré-candidatura de Vicentinho Júnior ao Senado, dizendo que tanto faz ele ser pré-candidato ao Senado ou não, estava preocupada somente com ela. Isso gerou tensão entre os dois, levando ao rompimento. Foi o primeiro sinal de que Dorinha não é de grupo, mas tem uma visão individual.
Do outro lado vinha Amélio Cayres como candidato ao governo, apoiado por Wanderlei Barbosa. Uma pré-candidatura firme e consistente, mas que sofreu com o afastamento de Wanderlei Barbosa. Durante esse afastamento, o grupo de Dorinha e Amélio/Wanderlei se aproximou e uma negociação foi fechada: Dorinha articulava a volta de Wanderlei e uma vaga ao senado estaria garantida para Amélio, desistindo assim de sua pré-candidatura ao governo. A articulação de Dorinha prosperou, mas aí vem outra de Dorinha. Ele chega com Gaguin e Eduardo Gomes à tira-colo como pré-candidatos ao senado, quebrando assim o acordo com
Cayres segurou o impeachment
Durante o afastamento de Wanderlei Barbosa, Amélio não se curvou à pressão de parlamentares para pautar impeachment, mantendo-se fiel ao governador e ao acordo firmado. Mas o governador, infelizmente, não considerou essa atitude e curvou-se à vontade de Dorinha, colocando Amélio em candidaturas periféricas, como uma pré-candidatura avulsa ao Senado. Esse não era o acordo, e sim que seria o candidato da majoritária, ofereceu a vice, mas continuava fora do acordo. Essa situação fez Amélio deixar o grupo.
A aliança com Vicentinho
Ao deixar o grupo governista, Amélio abriu negociação com Vicentinho Júnior e aceitou ser pré-candidato a vice. A decisão de Amélio deu musculatura política para Vicentinho, que hoje figura como o principal concorrente contra o grupo governista. As mais recentes pesquisas demonstram que, em um eventual segundo turno, Vicentinho sairia vitorioso. Esse episódio da história recente da política tocantinense é uma prova de que realmente Leonel Brizola estava correto em sua célebre frase. Tanto Dorinha quanto Wanderlei tomaram decisões que acabaram por criar aquele que pode derrotá-los nas urnas. A revolta dos rejeitados contra o grupo dominante que os rejeitou pode fazer história vencendo a poderosa máquina pública.