O mote da “continuidade do governo” criado pela campanha de Dorinha tem um problema que acaba por atacar a própria campanha de Dorinha: o governo do Tocantins falha na saúde, educação e infraestrutura, os três pilares que sustentam uma sociedade. Ao adotar o mote de continuação do governo, admite que continuará a falhar nessas três áreas essenciais da gestão pública.
Saúde
O governo Wanderlei Barbosa está sendo marcado por deixar a saúde do Tocantins em maus lençóis. Quem não lembra do apagão no HGP — Hospital Geral de Palmas — que levou à suspensão de cirurgias, preocupação aos pacientes e um transtorno para médicos? Essa situação exemplifica bem a gestão em saúde do governo.
Além disso, há o problema dos hospitais particulares que atendem pelo SUS que alegam falta de pagamento dos atendimentos realizados, levando-os a suspender os serviços, o que pode acarretar um aumento na superlotação dos hospitais públicos. Falar em superlotação, podemos colocar como exemplo os corredores do HGP e dos demais hospitais espalhados pelo estado do Tocantins. Em todos eles, podemos ver macas com doentes nos corredores por falta de leitos.
As mortes decorrentes de mau atendimento, falta de ambulância e de profissionais também fazem parte da rotina desses hospitais que se tornaram mais um problema do que uma solução para a saúde do tocantinense.
Educação
Os dados mais recentes do IDEB — Índice de Desenvolvimento da Educação Básica — mostram que o Tocantins estagnou no aprendizado e no ensino. Falta investimento em profissionais da educação e sobra populismo eleitoreiro. O PROFE, criado pelo governo do Tocantins, que distribui certas quantias a alunos para que estes vão à escola, mostrou-se ineficiente frente aos números do IDEB que foram apresentados. Ele não incentiva o aprendizado, mas tão somente a ida do aluno à escola, quando, por outro lado, profissionais que poderiam incentivar de verdade esse aprendizado são desvalorizados.
Recentemente, o governo do Tocantins restringiu o pagamento de gratificações do PROFE para os profissionais da educação. Também não foi aplicado o limite constitucional de 25% para manutenção e desenvolvimento do ensino. São coisas que refletem nos números do IDEB.
Infraestrutura
Quem roda nas rodovias do Estado do Tocantins pode contemplar como seu IPVA não está sendo bem utilizado pelo governo do Tocantins. Há trechos em que não existe mais o asfalto, é poeira no verão e lama no inverno. Outros asfalto é picotado, dividindo espaço com buracos. A região que mais sofre com o descaso do governo na infraestrutura é a do Bico do Papagaio, que aos poucos vai se isolando do resto do estado por falta de estrada. A falta de investimento em infraestrutura também prejudica o escoamento da produção. Produtores rurais se veem de mãos atadas diante da situação, vendo sua renda diminuir, perdendo sua produção por conta da falta de estradas para poderem fazer o transporte.
Mas não são somente os produtores rurais prejudicados. Alunos da zona rural também sentem o peso do descaso. Com as estradas sem manutenção, ônibus escolares muitas vezes quebram, fazendo com que o aluno não possa ir à escola, prejudicando seu aprendizado. Ambulâncias que precisam rodar para cidades polo em saúde têm que enfrentar a situação degradante das rodovias estaduais, atrasando o trajeto. Então, Dorinha quer continuar com isso? Parece que sim, ao adotar esse mote.