Crédito: Site OnaIntegra
Quanto maior o volume de dinheiro público envolvido, maior deve ser a obrigação de prestar contas. E quando uma empresa que recebeu cerca de R$ 8,3 milhões em contratos públicos aparece registrada em nome de uma mulher que afirma jamais tê-la aberto ou autorizado o uso de seu nome, o caso deixa de ser uma mera disputa política.Passa a ser um episódio que exige respostas urgentes das autoridades.
Francisca de Araújo Santos afirmou ao nosso jornalismo, não ter constituído a empresa, não ter assinado sua abertura e não reconhecer a condição de proprietária da Realeza Construções. A apuração também revelou alegações sobre uma suposta relação pessoal entre ela e o prefeito interino Abrão Carolino. Todas essas afirmações ainda precisam ser investigadas e comprovadas pelos órgãos competentes.
Se os fatos narrados forem confirmados, não se estará diante apenas de uma irregularidade burocrática. A hipótese descrita na representação pode indicar a utilização indevida do nome de terceiros para viabilizar contratos públicos milionários, situação que, em tese, poderá ser enquadrada em crimes como falsidade ideológica, estelionato e outros previstos na legislação, conforme o resultado das investigações.
As perguntas continuam sem resposta: quem assinou os documentos de constituição da empresa? Quem exercia seu controle de fato? Quem conduziu as licitações? Quem autorizou pagamentos milionários? E, sobretudo, quem foi o verdadeiro beneficiário dos recursos públicos?Não basta dizer que tudo será esclarecido “no momento oportuno”. O momento oportuno é agora. O Ministério Público, a Polícia Civil e os órgãos de controle têm o dever de verificar a autenticidade dos documentos, identificar os responsáveis e esclarecer se as denúncias têm fundamento.
Se a representação for infundada, isso precisa ser demonstrado com a mesma transparência. Mas, se os fatos forem confirmados, Praia Norte poderá estar diante de um dos mais graves casos envolvendo contratos públicos já denunciados no município. A população não merece silêncio; merece respostas, investigação e, se houver crime, responsabilização.