A mídia tocantinense — leia-se aqui a parte dorinhista — exaltou na data de ontem um feito curioso na política estadual: a “adesão” de prefeitos da base de Dorinha…..para a própria Dorinha. Em um ato de argumentação sofista, trocaram a palavra reafirmação de apoio para adesão. Existe diferença? Sim, e vou explicar quais. Reafirmar: segundo o dicionário Michaellis, é o ato ou efeito de afirmar algo novamente, de maneira a confirmar, reforçar ou ratificar uma declaração, um compromisso ou uma postura anterior. Significa garantir a veracidade de algo para não restarem dúvidas, ou seja, os prefeitos de Itapiratins e Recursolândia só reafirmaram seu apoio. Agora, o que é adesão? Ainda conforme o dicionário Michaellis, significa o ato ou efeito de aderir, ou seja, concordar, apoiar ou se unir a uma ideia, causa, grupo ou contrato, ou seja, eles não estavam se unindo na data de ontem ao projeto de Dorinha, pois já estavam em data anterior, portanto, repito, não houve adesão ontem, mas uma reafirmação de seu apoio que já haviam decidido há meses atrás.
Mas quem são esses prefeitos que “aderiram” ao projeto de Dorinha? São os prefeitos de Itapiratins e Recursolândia, ambos do partido Republicanos. Mas quem é o presidente regional do Republicanos no Tocantins? Governador Wanderlei Barbosa, que, por coincidência, é aliado de Dorinha. Em suma, o que os prefeitos fizeram foi demonstrar que não deixarão Dorinha, que seguirão com ela. Mas por que a necessidade dessa demonstração de fidelidade? Vou explicar. Recentemente, a senadora Dorinha perdeu apoios de sua base para o deputado federal e também pré-candidato ao governo do Tocantins, Vicentinho Júnior. Aí entra a verdadeira adesão.
Uniram-se ao projeto de Vicentinho a prefeita de Alvorada, a qual é do União Brasil. Mas quem preside o União Brasil no Tocantins? A senadora Dorinha. Veja com exemplos a diferença entre adesão e reafirmação. Também, do União Brasil, a presidente do União Mulher aderiu à pré-candidatura de Vicentinho Júnior. Não foi uma reafirmação por serem do partido de Vicentinho, mas uma adesão. Prefeitos do Republicanos, presidido pelo aliado de Dorinha, também aderiram, a exemplo do prefeito de Xambioá. Vejam, não são prefeitos do PSDB, presidido por Vicentinho Júnior, ou do MDB, presidido por um aliado, mas de legendas de adversários. Eis a diferença.
O que estão tentando fazer é tão somente tentar demonstrar uma força que simplesmente não existe. Ninguém ganha aquilo que já é seu. Os prefeitos já eram da base de Dorinha, sempre foram da base de Dorinha. Alguns sites chegaram a estampar a manchete: “Prefeitos deixam Vicentinho e aderem à pré-campanha de Dorinha”, mas não há em nenhum lugar que os prefeitos em questão teriam declarado apoio a Vicentinho. É a indução ao erro no seu nível mais elevado. Muitos outros “apoios” da própria base de Dorinha irão surgir para apoiar Dorinha. Como eles dizem que têm 100 prefeitos, serão 100 declarações de “apoio”. Na real, o que Dorinha está mesmo querendo dizer é: “Não estou mais perdendo apoios”, e mascara isso com a mentira da adesão.